As dores de cabeça crónicas das nossas tias

Desde 1991 que entre os dias 25 de Novembro e 10 de Dezembro de cada ano, se celebram os ‘16 dias de ativismo contra a violência baseada no género’. Esta é uma campanha internacional com o fim de consciencializar sobre a violência baseada no género, especialmente aquela praticada contra a mulher e a rapariga.

Não acontece todos os anos, mas quando posso participo em ações coletivas no âmbito da campanha. O que sim faço todos os anos, é aproveitar este período para refletir sobre tipos de violência baseada no género que eu possa praticar, sofrer, tolerar ou minimizar.

Este ano, a minha atenção foi para as múltiplas histórias assistidas e contadas de mulheres que quase todas as noites sofrem de dores de cabeça ou de alguma outra dolência. Frequentemente esta dor de cabeça é justificação para não se engajarem em atividades sexuais com os parceiros, marido ou namorado. Durante muito tempo, não dei o devido valor a estas dores de cabeça crónicas, mas agora consigo conectar alguns pontos e ver que elas são claramente gritos de socorro. Mas são gritos tão baixinhos, feitos num espaço considerado ‘sagradamente’ privado, que muitas vezes passam desapercebidos.

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As ferias do corona virus

Tenho a impressão que este ano, 2020, será um ano muito interessante. Estamos ainda em Maio e já vivemos experiências tao intensas, tao novas, tao assustadoras, tao desafiantes. O virus corona ou corona virus mudou (e não sabemos por quanto tempo) a nossa maneira de relacionar-nos entre nós, a nossa forma de estar em público – ao se nos exigir que pratiquemos o distanciamento social e o uso constante de mascaras. Mas as situações nas quais nos encontramos por causa do surgimento deste virus, parece que também veio reforçar algumas injustiças sustentadas pelo patriarcado.

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Eleições, bem estar e sexo

No dia 15 de Outubro de 2019 se realizarão as 6ªs eleições gerais de Moçambique. Nessas eleições se escolherá o presidente do país e a composição do parlamento. Por tanto, o nosso bem estar presente e futuro depende também dos resultados das eleições. E, por esse motivo acredito que deveríamos votar naquele partido e candidato presidencial com maior potencial de melhorar a qualidade da nossa vida sexual.

Somos seres sexuais e nesse sentido a qualidade da vida sexual tem um impacto brutal noutras áreas da nossa vida. Como por exemplo, na qualidade do descanso, na inspiração e criatividade, na saúde da pele, no humor, no exercício físico, no bem estar emocional, etc. A percepção de qualidade da vida sexual é relativa, porém penso que alguns elementos são centrais:

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Os apelidos de mulheres são uma utopia?

Em muitas sociedades antigas os nomes tinham um significado. As vezes representavam o que se esperava que as pessoas fossem ou alguma característica do nascimento ou da personalidade ou ainda as circunstancias nas quais as pessoas tinham nascido. Em muitas sociedades actuais, perdeu-se o sentido explícito dos nomes e de facto, muitas pessoas não conhecem o significado dos seus nomes. Porém, implicitamente ainda prevalecem alguns significados, por exemplo, dá-se nomes de flores apenas às meninas e nomes de guerreiros apenas aos meninos.

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A quem pertencem as minhas mamas?

Depois dos meus partos, o meu relacionamento com as minhas mamas mudou de formas inesperadas. Consequentemente, também mudou a forma como as vejo, como as sinto e como as desfruto. Mas também, a forma como a minha família nuclear (e as vezes a sociedade) se relaciona com as minhas mamas é nova e me dá a sensação as vezes de que as minhas mamas já não me pertencem e passaram a ser colectivas.

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